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Ciência e Tecnologia

Como sabemos que a Lua está se afastando da Terra?

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Talvez você seja uma daquelas pessoas que leem uma notícia e acabam se perguntando: “Como eles sabem disso?”. Há tempos, astrônomos descobriram que a Lua estava se afastando da Terra. Mas, afinal, “como eles sabem disso?”

Os cientistas Adam Rutherford e Hannah Fry, que respondem às dúvidas do público da BBC, descobriram a resposta a essa pergunta de uma maneira um pouco complicada. O caminho até a solução do enigma é cheio de coisas interessantes e complexas de se explicar.

Tudo começou com uma questão do ouvinte Eddie Griffith, enviada à BBC.

“Outro dia, estava vendo o filme 007 Contra Goldfinger. O vilão diz que tem um laser tão poderoso que sua luz chega à Lua. É possível ter um laser como esse? Quão poderoso ele deveria ser para conseguir chegar até lá?”

Para quem não se lembra da trama do filme lançado em 1964: Auric Goldfinger é um vilão obcecado por ouro. Ele planeja detonar uma bomba em Fort Knox, onde desde 1937 se armazena grande parte das reservas de ouro dos Estados Unidos. A ideia do vilão é aumentar o valor de suas próprias reservas.

O espião James Bond fica sabendo do plano, mas acaba sequestrado e levado para o covil secreto de Goldfinger, onde o amarram a uma mesa de ouro.

Depois de informar Bond do quão poderoso é o seu laser, Goldfinger acende o feixe escaldante e o move entre as pernas de Bond.

Um laser é capaz de chegar à Lua?

Mas voltemos à pergunta, que não era exatamente se um laser pode queimar as partes íntimas de um famoso espião, e sim se poderíamos ver sua luz caso ela fosse projetada na Lua.

Quão poderoso o laser precisaria ser para chegar lá? Qual seria a distância percorrida e quanto tempo isso levaria?

“Tive pouco tempo para preparar a resposta. Por causa disso, fiz uma estimativa”, adverte o físico Andrew Pontzen. “Acredito que se você quiser projetar uma luz na Lua, precisaria de uma potência de 200 megawatts”, diz.

Lua

Um dos mais poderosos lasers do mundo chega a 1 trilhão de watts – GETTY IMAGES

“Watt é uma medida usada em lâmpadas, por exemplo”, comenta ele.

Mas é possível ter um laser tão poderoso? Sim, já temos! Um dos mais fortes do mundo está em Didcot, no Reino Unido, e se chama Laser Gemini Super Intenso. O que aconteceria se o apontássemos para a Lua?

“Provavelmente, seria algo poderoso”, responde a física Ceri Brenner. “A potência dele chega perto de meio petawatt”.

Um petawatt (PW) são 10 watts elevados à 15ª potência. Ou seja, equivale a 1 quatrilhão de watts. Um laser petawatt gera essa grande potência durante um intervalo de alguns femtossegundos.

Já o femtossegundo é a unidade de tempo que equivale a um quadrilionésimo de segundo. Proporcionalmente, existem tantos femtossegundos em apenas um segundo quanto existem segundos em 100 milhões de anos. Ou seja, em 100 milhões de anos há 3.153.600.000.000.000 segundos.

Mas essa potência seria suficiente para chegar à Lua?

“Quando a luz de um laser é muito potente, atravessar a atmosfera da Terra pode ser problemático”, explica Brenner. “O laser queimaria o ar à medida que o atravessasse”. Mas como se queima a atmosfera?

“Ao viajar, a intensidade da luz é tanta que converte o ar em plasma”, diz Brenner.

Um incêndio no céu? “Sem dúvida, geraria um raio forte. É isso que os raios são: canais de plasma”, responde Brenner.

Melhor voltarmos ao laser de 200 megawatts. Depois de adicionar efeitos extras como a difração na atmosfera da Terra, que propaga a luz, talvez seja necessário um pouco mais de potência, algo como um gigawatt.

É basicamente a potência de um gerador nuclear. E, provavelmente, o laser precisaria ter uns 15 metros de diâmetro.

O homem que dispara raios na Lua

Para terminar a resposta, Rutherford e Fry descobriram um físico que efetivamente dispara pulsos de laser para a Lua.

O nome dele é Tom Murphy, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Ele se dedica ao que chama de “experimentos de medição laser”.

Murphy usa laser de um gigawatt – ele fica em cima de uma montanha no Novo México e dispara pulsos em direção a espelhos deixados na Lua por astronautas americanos e soviéticos.

O cientistas explica que a luz chega ao nosso satélite natural tão fraca que é necessário usar telescópios para vê-la.

“É uma idéia simples: enviamos pulsos curtos de luz que viajam para os refletores na Lua. Esses pulsos retornam à Terra e, então, medimos quanto tempo a viagem levou. Usamos a velocidade da luz para transformá-la em distância.”

E é assim que os cientistas sabem que a Lua está se afastando da Terra.

“A Lua está migrando lentamente, como resultado da aceleração das marés, movendo-se, em média, cerca de 3,8 centímetros por ano para mais longe da Terra.”

*Fonte: BBC

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Brasil

Brasileiro é um dos mais jovens advogados aprovados para atuar nos EUA

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No dia 15 de abril, a Corte Suprema de Nova York vai receber o juramento de um dos advogados mais jovens já credenciados no Estado. Ele é o brasiliense Mateus de Lima Costa Ribeiro, de 21 anos, aprovado em exame do New York State Bar Association — equivalente à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“É o resultado de muita dedicação. O que você colhe está completamente ligado a coisas que você fez em 7, 8, 10 anos”, disse Mateus ao G1.

Em 2019, o brasiliense foi aprovado para um mestrado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, considerada uma das melhores do mundo. Segundo ele, a experiência o fez “rever todas as premissas”.

“Quando cheguei lá, percebi que havia muita demanda por pessoas que entendem tanto o universo jurídico brasileiro quanto o americano, e o mestrado em Harvard abre a porta para você fazer a prova do Bar”, conta.

Mateus reconhece que faz parte de uma exceção. “A realidade de estudar fora, de aprender e falar bem inglês, de ter acesso a um país diferente é um negócio que precisa crescer cada vez mais, que precisa, cada vez mais, deixar de ser a exceção”, disse.

Na família, Mateus não foi o único a seguir o direito e se formar cedo. Ele foi quem quebrou o recorde do irmão, João Costa Ribeiro Neto, que conquistou a carteira da OAB aos 20 anos. A irmã, Clarissa Costa Ribeiro, foi graduada em direito aos 20 anos.

A prova do “Bar”, em New York, ocorreu em outubro de 2020, quando ele tinha 20 anos. No mesmo mês, Mateus voltou ao Brasil e, atualmente, ele trabalha em um escritório de advocacia em São Paulo, que presta apoio jurídico a empresas brasileiras que fazem operações internacionais.

“Pretendo trabalhar e ajudar a economia do Brasil justamente como uma ponte entre as empresas daqui e o mercado financeiro de Nova York. Empresas que estão se financiando para crescer, contratar pessoas. Sinto esse chamado, de ser essa ponte [entre os dois países]”, conta.

Fonte: G1

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Amazonas

Butantan estudará efeito da Coronavac em pessoas com comorbidades em Manaus

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O Instituto Butantan aplicará a CoronaVac em pessoas com comorbidades em Manaus em um estudo clínico para medir os efeitos da vacina contra Covid-19 na população com problemas de saúde pré-existentes, informou o instituto paulista nesta quarta-feira.

Para o estudo com pessoas do chamado grupo de risco para o coronavírus serão enviadas a partir de quinta-feira 10.156 doses da CoronaVac à capital do Amazonas para serem aplicadas em profissionais de educação e da segurança pública da rede estadual, com idade entre 18 e 49 anos. Este grupo, que terá a vacinação antecipada, será acompanhado pela equipe de pesquisadores que participa do estudo.

Dez mil pessoas participarão do estudo, sendo que 5 mil receberão a vacina do laboratório chinês Sinovac e 5 mil farão parte do grupo controle. A capital do Amazonas foi escolhido pois lá predomina a variante P1 do coronavírus, originada na cidade e que é mais transmissível.

Também nesta quarta o Butantan iniciou a segunda fase do estudo clínico com a CoronaVac na cidade de Serrana, no interior de São Paulo. A ideia é vacinar toda a população adulta da cidade com a vacina para medir os efeitos do imunizante na pandemia na cidade.

Fonte: UOL

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Pesquisa e Inovação

“Super-Terra” pode ter pistas sobre atmosferas em planetas distantes

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Foto: Reuters

Cientistas encontraram um planeta que orbita uma estrela relativamente próxima ao nosso sistema solar e que pode oferecer uma grande oportunidade para estudar a atmosfera de um planeta rochoso e semelhante à Terra, o tipo de pesquisa que poderia auxiliar na busca por vida extraterrestre. 

Os pesquisadores afirmaram na quinta-feira que o planeta, chamado Gliese 486 b e classificado como uma “Super-Terra” não é em si um candidato promissor como um refúgio para a vida. Imagina-se que ele seja inóspito –quente e seco como Vênus, com possíveis rios de lava fluindo em sua superfície.

Mas a proximidade com a Terra e as características físicas o tornam um bom candidato para um estudo de atmosfera com os telescópios espaciais e terrestres de nova geração, começando com o Telescópio Espacial James Webb, que a Nasa deve lançar em outubro.  Esses devem fornecer aos cientistas dados para decifrar as atmosferas de outros exoplanetas –planetas que ficam além do nosso sistema solar– incluindo os que podem abrigar vida.

“Nós dizemos que o Gliese 486 b irá se tornar instantaneamente a Pedra de Rosetta da exoplanetologia –pelo menos para os planetas semelhantes à Terra”, disse o astrofísico e co-autor do estudo José Caballero, do Centro de Astrobiologia da Espanha, em referência à antiga placa de pedra que ajudou pesquisadores a decifrar os hieróglifos egípcios.

Cientistas descobriram mais de 4.300 exoplanetas. Alguns deles são gigantes de gás, similares a Júpiter. Outros são menores, rochosos, planetas mais parecidos com a Terra, o tipo que é considerado um potencial mantenedor da vida, mas os instrumentos científicos disponíveis atualmente nos dizem pouco sobre suas atmosferas.

“O exoplaneta precisa ter as configurações físicas e orbitais corretas para que seja elegível para investigação atmosférica”, disse o cientista planetário Trifon Trifonov, do Instituto Max Planck para Astronomia, na Alemanha, principal autor da pesquisa publicada na revista Science.

 

*Fonte: Reuters

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