Os personagens de “A Cor do Gesto” são muito representativos, simbólicos. As narrativas mostram protagonistas misteriosos descritos com uma lírica que se aproxima dos sentimentos destes caracteres, no entanto da mesma forma que a beleza estética das palavras ornamentam os contos, trazem também, propositalmente um o quê de difuso e enigmático.

As motivações destes personagens permanecem como incógnitas, em “Tiremos a sorte” a história de amor entre os dois personagens nômades parece distanciada à medida que a maneira de amar destes caracteres segue o mesmo fluxo despojado e intuitivo de seus estilos de vida, livres, no entanto, não é tão fácil penetrar nos segredos destas complexas figuras, que ora sentem tristeza, oram amam, oram enjoam do próprio estilo de vida, ora o adoram.

Esta tendência a construção de protagonistas desajustados segue nas linhas de “A Ponte Para o Outro Lado”, os palhaços tomados como peça central para o desenvolvimento desta narrativa, aparecem como humanos, que se entendiam, se cansam, e se desesperam ao ponto extremo de destruírem a fortaleza do circo, aqui representando seus estilos de vida rotineiro. Conforme os palhaços partem para uma nova busca, tentando uma vida no seio da sociedade, percebem-se já contaminados pela maneira antiga, e inabitual de viver, situação ainda mais intensificada devido as rejeições sofridas por parte da sociedade.

Tomando a forma de mulher, de vítima, de algoz, estes personagens abrem as portas para uma narrativa íntima, pessoal, ao mesmo tempo que as temáticas trazem a atmosfera dos medos, das angústias, da solidão a fim de reforçar os sentimentos destas figuras exóticas, incitando ainda mais o leitor a observação destas protagonistas tão destoantes e, algumas vezes, tão demasiadamente humanos.

GÊNERO: Contos
FORMATO: 14X21 | ANO: 2018
PÁGINAS: 106 | Pólen Bold 90gr

Vendas : https://www.editorapenalux.com.br/loja/contos/a-cor-do-gesto

Sobre o autor

Artur Madruga nasceu em Porto Alegre. Residiu um ano em São Paulo, onde se dedicou ao grupo de teatro dos comissários da VASP, orientado pelo grupo União e Olho Vivo. Funcionário público em Alvorada-RS, desde o primeiro prefeito, desempenhou as funções de Secretário Executivo do Conselho Municipal de Cultura, tornando-se Professor no mandato do terceiro prefeito. Foi Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais da cidade que escolheu para viver. Do contraste entre o bairro Bom Fim, em Porto Alegre, onde nasceu e viveu até os dezenove anos, e Alvorada, a cidade-dormitório, nasceu o escritor. Seu trabalho, impulsionado por uma imperiosa necessidade de ter-se, em detrimento do verbo perder-se, foi várias vezes premiado. Dentre as premiações podemos destacar a Revelação Literária Apesul/Habitasul/Caldas Júnior/ Instituto Estadual do Livro/78, em Contos, no Rio Grande do Sul, Menção Honrosa do Prêmio Guilhermino César, da Universidade de Ijuí/RS, 1980, e Menção Honrosa do Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, Órgão da Academia Brasileira de Letras, RJ, 1981.

Editora Penalux

penalux@editorapenalux.com.br

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