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Gestão do invisível

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Tempos atrás fui convidado para gerenciar um setor que apresentava inúmeros problemas aparentemente de difícil solução. Antes de conversar com os profissionais envolvidos no processo e antes da leitura de qualquer informação pertinente aos serviços executados solicitei à secretária que me trouxesse as folhas de ponto dos últimos meses, para que eu pudesse dar uma olhada na frequência e nas ausências. Isso parecia ser estranho, olhar a folha de ponto antes de qualquer outra ação. O que poderia haver de tão importante sobre as informações de frequência das pessoas que trabalhavam naquele setor que pudesse ser analisada pelo novo gestor? Ainda, poderia haver alguma relação entre problemas gerais, qualidade do serviço e folha de frequência?

Para os colegas de trabalho, isso poderia significar que o novo gestor estaria muito mais inclinado a gerenciar apenas a frequência e as ausências dos servidores do que propriamente as pessoas, os processos, os recursos e a inter-relação entre eles. Porém, antes de tudo, o que eu estava realmente querendo compreender era a qualidade do clima organizacional e o nível motivacional das pessoas que trabalhavam naquele setor e, para tal, nada melhor do que tentar conhecer o que o “livro” de frequência poderia informar.

Como eu já supunha, tanto o clima organizacional quanto o nível motivacional estavam muito comprometidos, algo que poderia ser facilmente verificado pela quantidade elevada de ausências do trabalho, justificadas ou não. Por mais estranho que pareça, pessoas desmotivadas inventam problemas adicionais por não suportarem continuamente ter que conviver e trabalhar em um ambiente doentio, triste, sem muito significado e, principalmente, sem perceber a construção individual do produto de seu próprio trabalho. Qualquer ação que fosse feita sem alterar de forma significativa o clima organizacional e motivacional, seria praticamente desnecessária e ineficaz para se combater os outros problemas mais aparentes, dentre os quais, a perceptível e inaceitável ineficiência do processo de trabalho em sua totalidade.

Quando se pensa em gestão e liderança, inegavelmente, a parte mais importante é tentar compreender as pessoas, suas habilidades, suas necessidades e suas aspirações que, além do saber-fazer e do dever-de-fazer, precisam estar motivadas e se sentirem valorizadas e incluídas em um ambiente saudável, colaborativo, ético e produtivo. Não entender as pessoas, suas necessidade e suas sensações se constitui em um dos maiores erros de qualquer profissional que queira chegar à posição de líder-gestor.

Mesmo diante das gigantescas mudanças, inovações e reestruturações do ambiente e das relações de trabalho e de convívio, as pesquisas continuam indicando que o que mais atrai, motiva, liberta e mantém as pessoas em determinadas empresas é a valorização profissional, o respeito mútuo, o reconhecimento, as perspectivas de crescimento e de desenvolvimento e o retorno econômico comparado. Ou seja, o que motiva as pessoas a trabalharem de forma mais prazerosa é a combinação de um ambiente interno saudável com a perspectiva de crescimento e de desenvolvimento ao longo do tempo. Um se refere ao agora e em como o ambiente interno favorece o desenvolvimento do trabalho individual em equipe. O outro, refere-se ao longo prazo; como esse ambiente interno e a visão de futuro da empresa podem contribuir para o crescimento profissional e pessoal ao longo dos anos que se planeja permanecer na empresa.

Por fim, em um mundo muito mais complexo, dinâmico e volátil, a liderança efetiva só pode ser exercida a partir da percepção de que as pessoas são o objeto principal que fundamenta o seu propósito de existir.

Para liderar é preciso entender os principais motivos que condicionam a frequência e as ausências dos liderados no ambiente de trabalho, muito mais do que processos e propósitos.

*José Walmir Monteiro da Silva é escritor, professor e economista

 

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Mente calma e racional: como o estoicismo pode nos ajudar a viver melhor

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Imperador Romado Marco Aurélio - Foto: Reprodução

O estoicismo é uma escola filosófica prática fundada na Grécia, por Zenão de Cítio, no início do século III a.C, que ensina que é possível viver uma vida boa quando focamos naquilo que pode ser controlado. Os estoicos prezam por manter a mente calma e racional, independente das distintas situações humanas, e pregam que não devemos deixar ser conduzidos por crenças e paixões doentias de desejo, medo, dor ou prazer, uma vez que tais sentimentos são irracionais. O pensador estoico entende como natural sentir tais emoções, mas é preciso agir com racionalidade: a ação deve ser regida pela razão e não pela emoção.

Ainda que tenha nascido na Grécia, o estoicismo foi popularizado em Roma, e seus conceitos prevalecem até os dias atuais. Na visão estoica, manter a mente calma e racional para viver bem, significa que o homem precisa se concentrar naquilo  que pode ser controlado, e ao invés de se preocupar com o incontrolável, precisa aceitar que há coisas que não podem ser controladas. A realidade existe como ela é, e não como a queremos.

No pensamento de Epicteto, filósofo grego estoico do século I d.C, o mundo é como é, independente daquilo que queremos que ele seja, e isso precisa ser aceito. Há coisas que estão sob o nosso controle e outras não. Olhar o mundo com essa perspectiva pode ser valiosa, quanto mais trazemos para os dias atuais, onde a pressão social pelo sucesso profissional, por uma vida amorosa estabilizada e pelo acúmulo de bens materiais, criam expectativas em demasia nas diferentes realidades humanas.

Com o advento da televisão e da internet, por exemplo, padrões de estética, família e pensamentos foram pré-fabricados e transmitidos a uma massa que parece ter esquecido a imprevisibilidade do mundo. A vida real não vem pronta como nos roteiros das telenovelas, que no fim tudo acaba bem, ainda que a trama tenha sido pautada por situações indesejadas no decorrer da história. Por vezes somos vítimas do imprevisível, de situações que fogem do nosso controle, e não há nada que podemos fazer para reverter a situação.

De acordo com o pensamento estoico, o que está sob controle são nossas opiniões, ações e a própria perspectiva do mundo ao nosso redor. Para os estoicos, quando passamos a acreditar que as coisas fora do nosso controle nos trarão a felicidade desejada, nos tornamos meros expectadores, terceirizamos o próprio desejo, e quando isso acontece, essa felicidade passa a não depender mais de nós, e sim dos outros, algo inaceitável no estoicismo.

Os estoicos valorizam a ação, e não as palavras. Outro importante ensinamento é a prática de fazer o bem sem olhar a quem, ou fazer o bem sem esperar nada em troca. Para o estoicismo, é da natureza humana agir de bondade com os semelhantes, e isso independe do gesto ser valorizado ou não, pois a verdadeira beleza está no caráter, valores e personalidade de uma pessoa.

A escola estoica acredita que a personalidade ideal que devemos perseguir é a do “sábio estoico”, não para idealizar alguém acima dos demais, mas para agirmos racionalmente, e assim maximizar o bem-estar pessoal e da coletividade.

Quatro lições que podemos aprender com os estoicos 

1ª Lição – “Não espere que o mundo seja como você deseja, mas sim como realmente ele é. Dessa forma você terá uma vida tranquila.”

2ª Lição – Existem mais coisas, Lucílio, susceptíveis de nos assustar do que existem de nos derrotar; sofremos mais na imaginação do que na realidade.” Sêneca, Carta a Lucílio.

3ª Escolha não ser prejudicado e você não se sentirá prejudicado. Não se sinta prejudicado e você não o será.” Marco Aurélio, Meditações.

4ª “O homem vive preocupado em viver muito, não em viver bem, mas na realidade o viver muito não depende dele, mas o viver bem sim.” Sêneca, Sobre a Brevidade da Vida.

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“Viver baseado nas próprias virtudes”: o que podemos aprender com os cínicos

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Cinismo é derivação da palavra grega Kynismós, que traduzido para o português significa, ''igual a um cão''

O cinismo é uma corrente filosófica criada no século V a.C., por Antístenes, que ensina que o ser humano deve viver baseado em suas virtudes, ou seja, aceitando quem realmente é. Para isso, é necessário também, viver desprendido de julgamentos alheios e dos padrões estabelecidos pela sociedade.

Cinismo é a derivação da palavra grega kynismós, que em tradução para o português seria algo como: ”igual a um cão”; o termo é atribuído aos cínicos porque de fato, eles viviam como cães. Despojados de bens materiais e totalmente desprendidos dos padrões sociais, os pensadores cínicos viviam a filosofia na prática.

Os cínicos se declaravam cidadãos do mundo e por acreditar neste pensamento, contestavam  a vida em sociedade e o matrimônio, que segundo eles, tiravam a autonomia humana. Acreditavam que o homem deve ser autônomo e autossuficiente tratando o mundo com indiferença, pois a felicidade brota do seu interior.

Dentre eles, o que mais se destacou foi Diógenes de Sínope, filósofo da Grécia Antiga nascido em 413 a.C. Diógenes foi aluno de Antístenes, destacou-se entre os cínicos por viver de forma radical a sua filosofia. Ele passou a viver dentro de um barril na mais completa miséria, para mostrar aos homens que não é preciso de muito para viver.

Diógenes buscava um homem que vivesse segundo a sua essência. Procurava um homem que vivesse sua vida superando as normas impostas pelas sociedades, padrões como comportamento, dinheiro, luxo ou conforto. Ele buscava um homem que tivesse encontrado a sua verdadeira natureza, que vivesse conforme ela e que fosse feliz, sem as extravagâncias que uma vida baseada na superficialidade dos bens materiais condicionam o ser humano.

Um fato curioso sobre a vida de Diógenes foi quando Alexandre, O Grande, foi ao seu encontro. O homem mais poderoso do mundo, até então, solicitou que Diógenes pedisse o que quisesse que ele o daria. Diógenes pediu que Alexandre saísse de sua frente pois estava tapando o sol, com isso ele demonstrava o quão pouco ele necessitava para viver bem conforme sua natureza. Além disso, ele demonstrava na prática os valores fundamentais do filosofia cínica.

Ilustração do encontro entre Alexandre, o Grande e Diógenes de Sínope

Valores do cinismo

O cinismo é atrelado a três valores fundamentais, que tendem a conduzir o ser humano a um estado de profunda paz, chamado de ataraxia. São eles:

  • Autarquia – na prática significa o governo de si mesmo, quando o homem se torna incapaz de ser dominado por paixões e instintos. De acordo com o cinismo, esta capacidade só pode ser alcançada quando se tem uma vida ordenada;
  • Liberdade – é necessário que o homem se desprenda dos padrões estabelecidos pela sociedade. Há um forte aversão a governos e suas normativas, fatores peculiares como economia, comércio e crises, por exemplo, não devem dominar o pensamento e as ações humanas. Há ainda um profundo zelo pela liberdade de expressão;
  • Apatia – não se sentir afetado pelas dificuldades da vida, assim, torna-se possível alcançar a ataraxia, ou seja, a profunda paz de espírito.

Esses três valores se personificam na ação prática de Diógenes durante o encontro com Alexandre: 1) Ser dono de si, mesmo quando o homem mais poderoso do mundo oferece tudo o que uma vida repleta de bens materiais pode oferecer, e ainda assim, não sucumbir aos desejos e mostrar que precisa-se de muito pouco para viver bem e conforme a própria essência; 2) Liberdade, poder de expressar sua opinião mesmo que ela contrarie e conteste o poder temporal do Estado. Total desprendimento de luxos e demais bens materiais, que para o cínico, não passam de coisas supérfluas e não necessariamente garantem a felicidade; e 3) Ter uma apatia tão forte, que o que vem de fora não é capaz de atingir, nem modificar a  paz de espírito do homem que alcançou a ataraxia.

 

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O Brasil que eu faço!

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A celebração da Semana da Pátria é a oportunidade que todo brasileiro tem para vestir sua camisa verde e amarela e reverenciar as cores da nossa bandeira! Mas, acima de tudo, é uma semana para debates e reflexões sobre os rumos da nossa pátria, para nos questionarmos sobre o que realmente estamos fazendo pelo nosso país.

Lembro do quadro do programa ‘Fantástico’ em que os internautas faziam vídeos curtos questionando “O Brasil que eu quero!”, mas eu prefiro questionar “O BRASIL QUE EU FAÇO!”

Você não precisa ser político para entender de política, você precisa apenas exercer seu dever como cidadão para cobrar dos políticos. Sejamos exemplos que inspirem as crianças e os jovens; sejamos o reflexo que nossos filhos enxergam no espelho, façamos o bem independente do mal; sejamos caridosos sem se importar com o avarento; que possamos manter a humildade perante o arrogante, e que nossa fé se fortaleça todos os dias, mesmo nos dias ruins.

Não adianta de nada sermos um “povo heroico com brado retumbante”, se o filho vive fugindo à luta. De que serve a “paz no futuro e a glória no passado”, se no PRESENTE os teus risonhos lindos campos não têm mais flores e os bosques estão sem vida?

Então, que essa semana de celebração à nossa Pátria Amada Brasil seja diferente de todas as outras, principalmente pela mudança social, política e econômica que tivemos nos últimos anos por, infelizmente, estarmos atravessando uma crise de pandemia mundial – e que, apesar de todas as vidas perdidas, mostrou que o nosso povo é, sim, um povo GUERREIRO e BATALHADOR, que faz jus à sua história. Por isso, eu contemplo o horizonte acreditando na mudança dessa terra adorada entre outras mil.

Ó Pátria Amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

*Carpegiane Andrade é Capitão da Polícia Militar e Bacharel em Direito.

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