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Lançamento Penalux: “Nenhuma Eternidade”, livro do escritor Elizandro Todeschini

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Podem as nossas feridas internas serem tão grandes a ponto de nos fazerem esquecer quem somos?

Essa pergunta talvez resuma a trama central do novo livro do escritor Elizandro Todeschini.

“Nenhuma Eternidade”, que acaba de ser lançado pela Editora Penalux, narra uma aventura dramática escrita em primeira pessoa, em que Natanael, o protagonista da história, embrenha-se por uma Patagônia selvagem e enfrenta caminhos austrais perigosos, experimentando todos os limites físicos e psicológicos possíveis.

À medida que avança por percalços e obstáculos, o personagem é tomado pelas memórias mais recônditas do seu passado.

Atrelados a elas, emoções, sentimentos e acontecimentos veem à tona: um trauma, uma decisão monstruosa, o arrependimento, a espera, o reencontro… O tempo.

Sim, o tempo, que implicitamente é parte do título. “É algo que remete à ideia da relatividade do tempo”, comenta o autor. “Um minuto pode valer mais do que uma eternidade”, filosofa.

“Nenhuma Eternidade” cativa o leitor ao misturar dramas humanos com a sinuosidade dos caminhos austrais patagônicos. Gatilhos históricos, como o massacre do povo indígena pelo governo argentino, colocam o protagonista em contato com suas feridas internas mais doloridas. A trama traz reflexão humana e histórica.

Todeschini chama a atenção para uma dessas reflexões: “Quando alguém escapa de nossas vidas, alguém tão nosso, passamos a sentir tudo pela metade, como se a terra fosse uma semiesfera ridícula. Tudo é relativo, sem plenitude. A vida, nessa condição, não passa de cinquenta por cento”.

Na orelha do livro, Marcel Andreata de Miranda escreve estas palavras: “A obra que chega agora às mãos do leitor e da leitora faz jus ao título desde a sua colocação literária: entretém em alta literatura, em um aparente paradoxo que já é contido na alegoria do próprio título. […] Os fatos não são coisas puramente físicas: a compreensão psíquica dos acontecimentos sempre adquire forma. No caso do protagonista, palpam-se os acontecimentos pela dor. Seria um trekking capaz da aurora do deslumbre? A caminhada pelo Parque Nacional Torres del Paine reserva contratempos, repetições, perigos, traições, quedas, rejeições, até que se atinja o destino: a aproximação ao Eu.”

Em resumo, o novo livro de Elizandro Todeschini condensa em suas páginas ótimos temperos para prender a nossa atenção, e muita sustância reflexiva, deixando-nos ao fim da leitura filosoficamente mais nutrido e famintos de mais literatura.

Trecho

“Os brasileiros tendem a conhecer muito mais a história dos States do que a da América Latina, com suas veias abertas ou fechadas. É mais chique saber coisas do Tio Sam, mesmo que a cultura yankee seja tão diferente da nossa: deixa-nos mais descolados. Venderam-nos essa propaganda durante décadas sob o pretexto da globalização, cortina de fumaça para o globalismo econômico […] Mas o que mais eu queria ter conhecido antes era aquela história do mapa argentino. Sim, queria muito, de verdade. […] Saber que a Argentina de Caniggia, no passado, fora pequena, gerava algum conforto. […] Há quem sugira que sou um oportunista, que me promovo com a desgraça alheia, que ganho dinheiro com as misérias do homem, que vejo oportunidades onde outros só enxergam dor e sofrimento. Afinal, sou advogado. Os que não insinuam acusam diretamente, com o dedo em riste e não sem um tom de maniqueísmo político muito conhecido […] Mas, no duro, não me importo, não é o que sinto, não sou assim. Prefiro pensar que, quando nasci, algum anjo torto apenas mandou que eu fosse gauche na vida. Pronto! Assumo meu lado poético piegas e vou contornando a intolerância com algumas das melhores linhas já escritas.”


Sobre o autor

Elizandro Todeschini nasceu em David Canabarro-RS em 11 de janeiro de 1980. Formou-se em Direito pela Universidade de Passo Fundo no ano de 2003. Desde o ano de 2007 é Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul. Seu primeiro romance, De Volta ao Pátio, foi publicado pela Editora Autografia no ano de 2017.

Serviços

Nenhuma eternidade, Elizandro Todeschini – romance (186 p.), R$ 40 (Penalux, 2019).

Link para compra:

https://www.editorapenalux.com.br/loja/nenhuma-eternidade

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