Home Destaques Religião é para os desamparados, insinua Freud em “A Psicanálise e o Religioso”

Religião é para os desamparados, insinua Freud em “A Psicanálise e o Religioso”

0
0

Tema polêmico e controverso, a religião cada vez mais desperta a atenção para o debate, seja pela descrença em Deus, ou pelos atos desumanos que ora se escondem nos véus sagrados.

No livro “A psicanálise e o religioso”, do autor Phillpe Juliens, a religião é revista a partir do ponto de vista de três psicanalistas: Freud, Jung e Lacan.
Divulgação Psicanalista Sigmund Freud (1856-1939).

De maneira sintética, Juliens enumera razões e sentimentos que despertaram a atenção dos três pensadores para um tema tão fechado – e obscuro – dada a época em que viveram. O autor também destaca para a formação religiosa de um: Freud (judia), Jung (protestante) e Lacan (católica).

Na primeira parte do livro, que resgata os escritos de Freud a respeito do tema, Julien lembra que o primeiro texto do psicanalista sobre a religião data de 1907, intitulado “Atos obsessivos e práticas religiosas”. A partir dele, de uma forma ou de outra, voltaria a tocar no assunto em 1910, no ensaio sobre “Leonardo Da Vinci” e posteriormente em 1927, com o famoso “O Futuro de uma Ilusão”.

Leia trecho:

Como pode nascer (a religião) um dia no ser humano? Cedo ou tarde, todo o sujeito passa pela experiência do que Freud chama de Hilflosigkeit, ou seja, um estado de desamparo, de ausência de ajuda, de carência de recursos, de derrelição, de abandono. Essa experiência não é primeira. De fato, habitualmente, a criança vive sob proteção desde o nascimento. Deitada de costas, ela grita e chora e a mãe ou o pai intervêm para satisfazer alguma necessidade sua.

Mais tarde, também, a criança aprenderá a falar e a exprimir sua demanda disto ou daquilo, fazendo com que algum conhecido apareça. Mas eis que um belo dia vem a ausência de resposta. A mãe ou o pai se ausentam; é o vazio, o abismo: Hilflosigkeit. A proteção contra os riscos, as vicissitudes e as infelicidades a que se está irredutivelmente submetido é cada vez menos garantida.

É esse, de fato, o primeiro trauma da existência humana – choque inevitável como condição do nascimento do sujeito que se indaga: como será que isso é possível? Será que vem do ódio do outro? Ou de sua indiferença? Por que essa alternância entre presença e ausência, esse vaivém sem restrições? Não há resposta certa para essas perguntas. O enigma do desejo do outro permanece.

A partir disso é que Freud constata que certo dia algo novo surge: a saudade do passado em que a mãe ou o pai intervinham, saudade de um estado de felicidade em que o recurso a uma proteção estava garantido. É esse o móbil da religião. Esta sobrevém pouco depois, a partir dessa mesma experiência de Hilflosigkeit perante o caráter aleatório dos rumos da vida. Há, então, diz Freud, saudade do pai, não da mãe, mas daquele a quem se atribuiu a onipotência, ou seja, o Pai com maiúscula, o Pai divino. A psicanálise descobre, assim, a razão do nascimento da crença num Deus ao mesmo tempo senhor e pai; a questão é superar angústia de desproteção pela fé numa onipotência protetora.

A psicanálise é a ciência que lida com esses sentimentos de culpa do analisando, desalienando-o de sua história e promovendo um maior espaço de liberdade e
responsabilidade na construção de sua história e do mundo. Infelizmente, Freud só percebeu a religião como uma neurose coletiva movida pela culpa e pelo infantilismo, onde a criança projeta na figura de Deus seu desamparo infantil e transfere (quando adulto) seus anseios de amor infinito, dos pais para um deus de prótese.

Para um psicanalista cristão chega a ser doloroso esse fosso, esse abismo aparentemente existente entre Psicanálise e Religião, que o próprio Freud tentou sustentar. É preciso lembrarmos que Freud sofreu muito em sua infância com as humilhações e desprezos que seu pai Jacob passava por ser Judeu. Além disso, tinha grande receio que o puritanismo vitoriano, vigente na época, rechaçasse suas desconcertantes descobertas psicanalíticas. Apesar disso nunca recusou pacientes que se declarassem adeptos de quaisquer religiões e se tornou grande amigo de um pastor chamado Pfister. Esse último se tornou psicanalista e amigo para sempre.

Me permita Dr. Freud ajustar esta frase e me desculpe pela ousadia, mas também como psicanalista e teólogo posso pensar diferente um pouco. Mas o homem pode ter a sua religião, o que ele não pode é ser religioso. Mas o que é ser religioso?

Para a psicanálise a religiosidade também se manifestará do inconsciente, ou seja nos seus sonhos, se manifestará esse desejo vivido por sua família e por você. Ricardo Peter diz que “Assim, também nos sonhos a espiritualidade inconsciente encontra saída. De qualquer maneira, não se pode negar que em muitos sonhos o núcleo emana do inconsciente espiritual. Inclusive se consegue verificar que os homens que se declaram carentes de religiosidade, os sonhos revelam marcas da religiosidade reprimida”. Do livro A antropologia como terapia.

Viktor Frankl, o que descobriu o inconsciente espiritual diz:

“…. Que à remoção da religiosidade, a seu esconderijo psicológico em face do Ego consciente, não causa nenhum espanto depois de tudo o que já se disse a respeito do caráter verdadeiramente íntimo de uma autêntica religiosidade. Nenhuma surpresa então de encontrar em homens que se manifestam como não religiosos, sonhos com conteúdo religioso muito claro. Precisamente porque sabemos em que necessária profundidade radical se encontra não somente a libido inconsciente e reprimida, mas também o religioso inconsciente e reprimido”.

Segundo a Bíblia “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. “Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”. Lucas 18:10-13

O orgulho espiritual nos torna tão culpados quanto os que cometem adultério ou ou roubo. E Paulo adverte os Judeus e a nós também a respeito desta prática. Era um costume farisaico de achar que só quem tem a salvação eram eles (judeus). Que a ideia de julgar os outros uma especialidade deles e achar que eram melhores que os gentios.

A religiosidade é um grande problema nos dias de hoje, ela se tornou algo negativo e não positivo. 1 “Portanto, você, que julga, os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas…3 Assim, quando você, um simples homem, os julga, mas pratica as mesmas coisas, pensa que escapará do juízo de Deus?” Romanos 2:1,3

Especialidades dos religiosos:

1. Julgadores;
2. Exalam santidade;
3. Faz o que mando, mas não faça o que eu faço;
4. Estão sempre ponto para apontar o teu pecado;
5. São seres de muita fé pra impressionar, mas é apenas isso.

São apenas algumas, mas existem muitas. Fiquem de olho!

Elias Moura
Psicanalista Clínico e teólogo

Email: psiclinica.trilógica@gmail.com

Whatsapp 991672558

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também

Neste sábado, 26 de outubro, ocorreu no Palacete Provincial o 2º Ciclo de Palestras da Exposição Caminhos do Rio

A Exposição Caminhos do Rio está aberta para visitação do público desde o dia 01 de Outubr…