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Saiba o que acontece após a morte

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Quando Steven Thorpe chegou ao Hospital Universitário de Coventry, no Reino Unido, a equipe médica disse à família que não havia mais nada a fazer. O adolescente de 17 anos havia sofrido ferimentos gravíssimos na cabeça em um acidente de carro e os danos no seu cérebro eram irreversíveis. O diagnóstico era morte encefálica. Mas a família não perdeu as esperanças. O procedimento que comprova a ausência total de atividade cerebral foi realizado mais 3 vezes, até que o quinto exame revelou ondas cerebrais fraquíssimas – o que significava uma chance de sobrevivência. Duas semanas depois, Steven acordou do coma e começou a se recuperar. O caso, que chamou a atenção da medicina em 2008, mostra que o limite entre a vida e a morte é mesmo tênue.

Se um procedimento errado quase acabou com a vida de um jovem em pleno século 21, dá para imaginar por que a morte ainda assusta os médicos (para nem falar de nós, reles mortais). Duzentos anos atrás, quando não existiam aparelhos que identificassem os sinais vitais, os diagnósticos errados para o fim da vida eram frequentes. Em 1846, a Academia de Ciências de Paris aceitou que a morte significa a ausência de respiração, de circulação e de batimentos cardíacos. Mas mais de um século depois, outro francês, Paul Brouardel, concluiu que o coração não sustenta a vida sozinho. Uma pessoa decapitada pode ter batimentos cardíacos por uma hora, o que não quer dizer que ela esteja viva.

Quando surgiram os respiradores artificiais nos anos 1950, os critérios para definir o fim da vida ficaram ainda mais confusos. Ficou decidido que ele acontece quando as células do cérebro param totalmente de funcionar e desligam o encéfalo, a parte do sistema nervoso central que controla funções automáticas, como a respiração e a circulação. Geralmente, isso acontece depois de acidentes ou AVCs. A morte cerebral permite a doação de órgãos – já que o resto do corpo continua intacto e imune à dor (embora existam relatos de reações parecidas com às da dor na hora da retirada dos órgãos, como batimentos cardíacos acelerados e pressão alta.) Na teoria, o cérebro é a placa mãe de um computador. Quando ela queima, a máquina não funciona mais, mesmo que todas as outras peças ainda estejam em bom estado. A explicação parece simples, né? Mas daí a identificar com precisão quando isso acontece é outra história.

O fim (ou não)

De certa forma, a primeira definição de morte, a da ausência de circulação e respiração, não está totalmente errada. Estima-se que em 99% dos casos são as falhas no coração e no pulmão que encerram de vez a vida (só 1% dos casos tem origem na morte cerebral). Pense de novo na analogia do computador. O sistema coração-pulmão é a bateria da máquina, que garante o funcionamento das outras peças. Quando essa bateria descarrega, você pode continuar usando o computador ligado à tomada. É o que acontece com grávidas que não têm mais sinais cerebrais, mas que são mantidas “vivas” por aparelhos até dar à luz. De acordo com o americano Dick Teresi, autor do livro The Undeath (Os Não-Vivos), desde 1981, 22 mulheres tiveram bebês estando clinicamente mortas. Seus corpos estavam vivos – mas o cérebro já não os controlava mais.

Por isso, para compreender a morte, é preciso entender como trabalha a nossa “bateria”. O coração funciona com estímulos elétricos que provocam a contração (que joga o sangue para frente) e o relaxamento (que o enche novamente). É muito importante que esses movimentos sejam sincronizados. Se o coração bater rápido demais, não dá tempo de enchê-lo totalmente e a quantidade de sangue bombeada para o corpo diminui. Bater devagar demais também não é bom sinal, pelo mesmo motivo: vai faltar sangue para manter as condições vitais. Isso é especialmente perigoso para os pulmões. Sem sangue por lá, eles não levam mais oxigênio para as células. Sem oxigênio não há metabolismo e, bem, sem metabolismo as células morrem. Para um médico, a ausência de batimentos cardíacos é uma corrida contra o tempo. “Depois de 8 minutos, a chance é extremamente pequena”, diz o cardiologista Diego Chemello, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Mas a prática é continuar tentando. Em 2012, o jogador de futebol congolês Fabrice Muamba ficou 78 minutos com o coração parado, e até hoje ninguém sabe direito como. O mais provável é que a atividade elétrica do coração dele nunca tenha zerado totalmente e o oxigênio que ele recebeu por aparelhos tenha garantido sua sobrevivência.

Além das batidas irregulares, a parada cardíaca pode ser causada por um infarto, responsável por 70% das mortes súbitas no Brasil. O sangue que chega ao coração pela artéria coronariana vem cheio de glicose, ácidos graxos e sais minerais que controlam a atividade elétrica do músculo. Se essa artéria é obstruída por gordura (o famigerado colesterol), o suprimento de nutrientes é interrompido e acontece uma pane elétrica. De fato, o infarto é um problema elétrico. Por isso que o aparelho preferido dos paramédicos de séries de TV se chama desfibrilador. O impacto do choque é de 200 joules, o suficiente para acender uma lâmpada de 100 watts por dois segundos – e para botar nosso coração no ritmo.

Se o coração parar de bater, a circulação é interrompida na mesma hora. Nos 3 primeiros minutos, a recuperação é quase certa porque o organismo tem reserva de oxigênio e nutrientes (sim, toda a nossa vida só deixa 3 minutos de economias). Mas isso logo acaba e as células param de funcionar. As do cérebro puxam a fila. É nos neurônios que são feitas as reações químicas e elétricas mais complexas do corpo, que mais precisam de oxigênio. Para se ter uma ideia, o tecido cerebral recebe 10 vezes mais sangue que o muscular, que realiza uma função mecânica e bem menos complicada – o movimento. “Depois de 5 minutos, pode haver danos permanentes”, diz o cardiologista Guilherme Fenelon. A consequência pode ser perda da fala ou dos movimentos, por exemplo. Mas também pode ser bem mais esquisita: em 2011, a escocesa Debbie McCann acordou de um derrame com um problema que fez sua fala ficar parecida com sotaque italiano.

No fim das contas, seu corpo não foi feito para viver para sempre. No fim, o coração vai parar de bater, a respiração vai cessar e, como uma lâmpada, o cérebro vai se apagar. A vida acaba aí. Mas a morte, não. Ela está apenas começando.

O começo do fim

Antes de virar pó, nosso corpo vira um monte de outra coisa.

0 minuto – Ao contrário do que diz o clichê, ninguém “cai duro no chão” ao morrer. Como o sistema nervoso não libera mais os neurotransmissores que contraem os músculos, o cadáver fica totalmente flácido.

Aos 5 minutos, o corpo deixa de responder a estímulos externos. Não há mais respiração nem batimentos cardíacos.

Em 1 hora é vez do sangue parar. Primeiro, coagula o conteúdo das veias, por onde o sangue corria mais lentamente. O líquido das artérias segue a gravidade e fica perto do chão, onde a pele fica azulada.

Após 2 horas, sem circulação não há metabolismo. Sem metabolismo, não há calor. O corpo, que estava a 36,5°C, começa a se resfriar, 1°C por hora até entrar em equilíbrio com o ambiente.

Em 3 horas, o corpo fica rígido quando as reservas de ATP dos músculos acabam. Quanto mais musculosa for a pessoa, mais reservas de energia ela terá, e mais vai demorar para endurecer. A primeira parte do corpo que enrijece é o rosto, que tem músculos menores. Depois, endurecem os ombros, braços e tórax.

De 5 a 8 horas – Sem oxigênio, as células das paredes dos vasos necrosam e ficam frágeis, principalmente nos capilares dos dedos, que são mais finos. Acontece a hipóstase: o sangue sai dos vasos e impregna os tecidos vizinhos.

8 horas – O corpo continua a enrijecer. Os músculos das pernas finalmente se contraem. Por causa disso, os dedos do cadáver podem estar levemente fechados e os joelhos, um pouco dobrados.

12 horas – O corpo é como uma toalha molhada no varal. Depois de um tempo, a água evapora e os tecidos se retraem. Os olhos ficam fundos, os lábios escuros, e pelos e unhas parecem crescer – mas é a pele que se retraiu.

24 horas – Um adulto de 75 quilos pode perder até 1,3 quilo de sua massa nas primeiras 24 horas, graças à evaporação de água (nada dos famosos 23 g que a ficção diz ser o peso da alma). Se o cadáver estiver no calor, ao ar livre, pode ficar seco, como carcaças de animais no deserto.

2 dias – As bactérias continuam a liberar gases, o que faz com que o corpo inche. O cheiro piora por causa da decomposição das proteínas do corpo, e um líquido avermelhado, resultado do rompimento dos alvéolos pulmonares, pode sair pela boca e narinas.

3 dias – O corpo, que até então estava rígido, volta à flacidez. Isso porque os tecidos musculares já estão se decompondo. A ordem é a mesma do endurecimento: primeiro a cabeça, depois braços e tronco e, por fim, as pernas.

Mais de 7 dias – Se o corpo estiver em um ambiente com muita umidade e temperatura alta, a gordura do corpo em decomposição reage com sais do solo (como o potássio) e o cadáver fica macio e escorregadio, como um sabão. Em seguida, o corpo começa a desaparecer até sobrarem só os ossos.

*Fonte: Revista Super Interessante

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Titanossauro descoberto na Argentina é exemplar mais antigo da espécie

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Foto: Pool / Latin America News Agency

Um fóssil de titanossauro descoberto na Patagônia argentina é o exemplar mais antigo da espécie descoberto até agora, afirmaram cientistas que dataram os restos fossilizados do dinossauro em 140 milhões de anos. 

Os ossos do herbívoro, o maior dinossauro que já caminhou sobre a Terra, foram encontrados no sul da província de Neuquén e indicam que a espécie viveu há mais tempo do que se pensava anteriormente.

“É o registro mais antigo que se conhece, não só na Argentina mas no mundo todo”, disse nessa segunda-feira à Reuters Pablo Gallina, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet).

“Os titanossauros são registrados em vários lados do mundo, mas os registros mais antigos que se conheciam eram mais modernos que essa descoberta”, acrescentou Gallina.

O titanossauro, de 20 metros de comprimento, descoberto em uma escavação iniciada em 2014, é pequeno para sua espécie, com apenas a metade da média de comprimento.

Ainda assim, supera a antiguidade dos fósseis anteriores do dinossauro encontrado na Patagônia, que tinham menos de 120 milhões de anos.

José Luis Carbadillo, outro pesquisador do Conicet, disse ao portal de notícias da Universidade Nacional de La Matanza (UNLaM) da Argentina, que a descoberta inicialmente o levou a acreditar que os restos fósseis, por causa da idade, eram de um dinossauro anterior à origem dos titanossauros.

No entanto, estudos revelaram que o exemplar, batizado de Ninjatitan zapatai, era um titanossauro, acrescentou Carbadillo.

 

*Fonte: Reuters

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Galo de rinha mata o próprio dono com facada na virilha

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Um galo que tinha uma faca presa ao corpo para participar de uma rinha ilegal acabou matando seu próprio dono no sul da Índia . As informações do caso foram divulgadas pela BBC neste sábado (27).

De acordo com as autoridades, o galo estava pronto para entrar na briga quando tentou escapar. Seu dono tentou agarrá-lo e acabou atingido pela faca de cerca de sete centímetros. O objeto estava preso à perna do galo e atingiu a virilha do homem.

O dono do galo foi socorrido, mas morreu a caminho do hospital, após perder muito sangue. Agora, a polícia busca pelo menos outras 15 pessoas que estariam envolvidas na rinha , que aconteceu nesta semana no vilarejo de Lothunur, no Estado de Telangana. Apesar de serem ilegais na Índia desde 1960, as brigas de galo ainda são comuns, sobretudo nas zonas rurais.

O galo foi mantida na delegacia e, depois, foi transferido para uma fazenda. Ele ainda será levado ao tribunal como evidência quando o caso prosseguir na Justiça. De acordo com a agência de notícias AFP, os envolvidos no evento serão acusados de homicídio culposo , bem como de organizar rinhas ilegais e apostas irregulares.

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Agente paga passagens de avião para casal surdo e filhos ao ver que caíram em golpe: ‘Pedi licença e fui chorar’

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Por alguns segundos, o agente de aeroporto Raphael Cavaleiro, de 35 anos, pôde se esquecer da pandemia de Covid-19 para curtir um abraço coletivo recebido de um casal de surdos com os filhos pequenos, em Campo Grande, no início de fevereiro.

(mais…)

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